27/09 – DVOŘÁK: ENTRE A BOÊMIA E O NOVO MUNDO – Claudio Cruz e Jovens Notáveis – Quinteto de Cordas

DVOŘÁK: ENTRE A BOÊMIA E O NOVO MUNDO

Música de Câmara na Sala Beatriz Segall

.

CLAUDIO CRUZ & JOVENS NOTÁVEIS

.

Sala Beatriz Segall do Psicadeiro recebe um encontro dedicado a Antonín Dvořák, um dos grandes mestres da música de câmara e um compositor que soube transformar identidade, memória e tradição popular em uma linguagem profundamente pessoal.

.

O programa reúne duas obras de momentos distintos de sua trajetória: o Terzetto em Dó maior, Op. 74, escrito em Praga, e o Quinteto de Cordas em Mi bemol maior, Op. 97, composto alguns anos depois nos Estados Unidos. Entre uma obra e outra, desenha-se um fascinante percurso: da Boêmia ao Novo Mundo.

TERZETTO EM DÓ MAIOR, OP. 74

Escrito para dois violinos e viola, o Terzetto Op. 74 nasceu de uma circunstância quase doméstica. Dvořák desejava fazer música com amigos. O que começou como música para ser tocada entre conhecidos acabou se tornando uma pequena joia do repertório de câmara.

Em seus quatro movimentos, Dvořák alterna lirismo, vivacidade rítmica e uma escrita em que os três instrumentos mantêm uma conversa contínua, ora íntima, ora exuberante.

.

Cláudio Cruz, violino
Arthur Dianin, violino
Raoni Brulher, viola

.

QUINTETO DE CORDAS EM MI BEMOL MAIOR, OP. 97

O segundo momento do programa nos leva a outro continente e a outro período da vida de Dvořák.

Em 1893, vivendo nos Estados Unidos, o compositor passou o verão em Spillville, Iowa, pequena comunidade de imigrantes tchecos. Distante de sua terra natal, reencontrou ali sua língua, seus costumes e algo da atmosfera da Boêmia.

Foi nesse ambiente que nasceu o Quinteto de Cordas Op. 97, contemporâneo do célebre Quarteto Americano. A obra traz a extraordinária riqueza melódica de Dvořák, sua pulsação rítmica e sua capacidade de fazer conviver diferentes tradições musicais.

É a música de um compositor entre dois mundos: a Boêmia que carregava consigo e a América que começava a penetrar sua imaginação.

Para essa obra, juntam-se aos três músicos Gabriel Souza, na viola, e João Pedro Tavares, no cello, formando o quinteto de cordas.

.

Uma oportunidade de ouvir, na intimidade da Sala Beatriz Segall, a música de um compositor para quem viajar nunca significou abandonar suas raízes. Ao contrário: quanto mais distante estava de casa, mais a memória parecia transformar-se em música.