30/10 – SHOW OPINIÃO – Do popular ao erudito, uma música sem fronteiras
SHOW OPINIÃO — Do popular ao erudito, uma música sem fronteiras
Fernanda Ribeiro, Mica Marcondes, Luca Raele e Caíto Marcondes
Em dezembro de 1964, poucos meses após o golpe militar, estreava no Rio de Janeiro o Show Opinião, dirigido por Augusto Boal. No palco, o encontro entre o morro, o sertão e o asfalto transformava a música em expressão artística, política e afetiva de um Brasil que começava a viver os anos da ditadura.
Mais de seis décadas depois, Show Opinião retorna não como remontagem do espetáculo original, mas como uma nova experiência musical.
Canções de João do Vale, Zé Keti, Edu Lobo, Sérgio Ricardo e outros grandes nomes ganham arranjos de Caíto Marcondes para uma formação singular: voz, violino, basset horn e percussão. O popular encontra a sonoridade de câmara e revela como são artificiais as fronteiras entre aquilo que chamamos de música popular e erudita.
Geny Marcondes, tia de Caíto, foi diretora musical do Show Opinião original. Ao pesquisar seus antigos cadernos de rascunhos, Caíto encontrou registros de sua participação nos arranjos e mergulhou novamente naquele universo musical. Um espetáculo nascido em 1964 encontra novos músicos, novos arranjos e um novo tempo — sem perder a força das perguntas que o fizeram nascer.