Pyotr Ilyich Tchaikovsky pertence a uma história que ainda continua sendo contada. Mais de um século após sua morte, sua música permanece habitando um lugar privilegiado nas salas de concerto, nos teatros de ópera e nos palcos de ballet do mundo inteiro. Poucos compositores seguem tão vivos na experiência cultural contemporânea quanto ele.
Basta lembrar de obras como os ballets O Lago dos Cisnes, A Bela Adormecida e O Quebra-Nozes, da ópera Eugene Onegin, de suas sinfonias carregadas de vertigem emocional ou dos monumentais concertos para piano e para violino. Essas obras continuam sendo interpretadas com intensidade rara, a mesma que despertaram em seu tempo, talvez ainda maior.
A arte atravessa o psiquismo humano. Toca emoções profundas, convoca lembranças adormecidas, ilumina conflitos íntimos. Nesse território sensível, a música de Tchaikovsky revela uma atualidade surpreendente. Sua vida foi marcada por tensões profundas: a perda precoce e traumática da mãe, as dificuldades de adaptação à disciplina severa da formação acadêmica e os conflitos interiores ligados à própria identidade afetiva e sexual.
Essas experiências não permaneceram à margem de sua criação. Ao contrário: tornaram-se matéria viva de sua música Em Tchaikovsky, biografia e obra formam uma unidade inseparável. Cada partitura carrega a densidade de uma experiência emocional verdadeira, estados de alma.
Neste curso, realizado na Sala Beatriz Segall do Psicadeiro, propomos um mergulho nesse universo fascinante. Cada encontro reunirá apresentação comentada, exibição de obras fundamentais e momentos de debate. Investigaremos não apenas a história das composições, mas também suas dimensões psicológicas, culturais e estéticas.
Mais do que estudar um compositor, a proposta é assistir e escutar Tchaikovsky como quem atravessa uma paisagem interior. Procuraremos compreender por que sua música continua a nos comover, inquietar e fascinar e por que, mais de cem anos depois, ela ainda fala com tamanha intensidade ao público de hoje.
Porque, em última instância, a música de Tchaikovsky nos recorda de algo essencial: certas emoções humanas não pertencem a uma época — pertencem à própria condição de existir.
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Apresentação e Coordenação: Andres Santos Jr. e José Paulo Fiks. Psiquiatras e psicanalistas.
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Cada encontro articula três momentos:
.1 . Apresentação histórico-psicológica
2 . Projeção comentada
3 . Debate aberto ao público
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